O Projeto

Contemplada pelo edital FATE 2012, a LMPR Tempo Companhia Teatral inicia a montagem e produção de Querida Helena Serguêievna, com direção de Isaac Bernat e no elenco: Helena Varvaki, João Pedro Zappa, Marina Provenzano, Fabio Enriquez e Gabriel Vaz.

Este projeto, além da montagem do espetáculo compreende mais duas ações importantes:

1. A vinda da autora russa Ludmila Razoumovskaia ao Rio de Janeiro para realização de um seminário de dramaturgia. Assim poderemos ouvir um pouco sobre o teatro feito hoje na Russia e refletir sobre os pontos de convergência com o teatro que fazemos, hoje, na nossa cidade.

2. Um trabalho de formação de público com jovens do ensino médio e universitários. Visitaremos escolas para apresentar um material sobre o espetáculo previamente preparado, estimulando alunos do ensino médio e universitários para uma fruição mais apurada do espetáculo. Após o espetáculo direção e atores terão uma conversa com os alunos.

Encenada em vários países do mundo desde sua estreia na Estônia em 1981, Querida Helena Serguêievna, de Ludmila Razoumovskaia, apresenta a estória da visita que quatro alunos fazem a sua professora solitária no dia de seu aniversário. O ato, que em um primeiro momento parece um gesto generoso, revela aos poucos a crueldade de um golpe previamente muito bem arquitetado.

Em um tempo em que uma mãe rouba provas do Enem para facilitar a prova de seu filho, alunos atiram a queima roupa em professores por estarem insatisfeitos com suas notas, um jovem transtornado invade uma escola e assassina 12 alunos, em que professores cada vez mais esgotados não tem tempo, espaço e tampouco condições financeiras para reciclar seu saber, alunos que estudam em instituições de ensino privadas se sentem no direito de pensar que o professor é um ser subalterno a eles, nos parece absolutamente pertinente montar uma peça que trata da perda de valor do lugar do professor na nossa sociedade e dos contornos aviltantes que pode tomar a relação
aluno – professor.

Qual o lugar do professor na sociedade contemporânea brasileira? Como falar sobre limites com as novas gerações? Como abordar o conflito entre as gerações? Não queremos, no entanto, fazer esta reflexão de uma maneira pesada. O espetáculo será ágil, trazendo à cena uma linguagem que atraia o público.

O teatro é para nós um campo privilegiado para, junto com nossos espectadores, avançar nestas questões e continuar trabalhando por uma sociedade mais harmonizada na existência e convivência das diferenças.

Acreditamos que, ao tratar de temas relevantes da sociedade contemporânea, estamos colaborando com a educação e democratização do teatro como manifestação artística. Lembrando que o teatro não está pautado unicamente pelo entretenimento. Sem esquecer, porém, da alegria proporcionada pela possibilidade de acesso à cultura.