O Ecossistema Ator|Atriz

O Ecossistema Ator|Atriz

É o conjunto das relações de interdependência, reguladas por condições sociais de uma determinada localidade, que os profissionais das artes da representação estabelecem entre si, com os recursos materiais e econômicos que compõem o seu ambiente de trabalho, com os espectadores e com as instituições públicas e privadas de alguma maneira vinculadas à sua formação e à sua produção.

Entende-se por artes da representação aquelas que produzem obras artísticas de ficção no teatro, cinema, televisão, rádio e outros espaços ou suportes presenciais ou não, em tempo real ou não.

Dependendo das características da localidade, este conjunto poderá abarcar ou interagir com os ecossistemas das demais artes performativas (música, dança, circo, ópera) ou artísticas em geral. Da mesma forma, deverá interagir com outros ecossistemas de outras localidades de abrangência ou interseção geográfica.

Dentre os profissionais das artes da representação (técnicos e artísticos), atores e atrizes constituem a maior população e estão presentes na quase totalidade da produção.

O objetivo de demarcar este conjunto de relações é pesquisar, apontar e buscar intervir e transformar as atuais condições que as regulam, sempre a partir dos atores e atrizes.

Os resultados pretendidos poderão ser variados: atualização de competências, mudança no perfil profissional, surgimento e impulsionamento de novas ideias, empreendedorismo, cooperativismo, engajamento social e/ou político, melhor satisfação pessoal, melhor sinergia social, melhor afinidade com outras localidades e ecossistemas, evolução econômica qualitativa e/ou quantitativa, etc.

O Ecossistema Ator|Atriz não é um empreendimento ou organização em si mesmo. É um conceito e uma exposição pública de princípios para a promoção do debate através dos mais diferentes formatos de encontros entre os interessados.

Valorizando o pensamento crítico associado à empatia e ao cuidado de si, os interessados não devem se eximir de abordar também os temas e condições que comumente conduzem à censura interna ou externa, ao preconceito e ao fanatismo.

Dentre as motivações que fizeram surgir o conceito, pode-se enumerar: a passividade e/ou angústia observada em grande parte dos atores e atrizes diante da sua insatisfação por não se sentir realizado artisticamente ou financeiramente na profissão; a desinformação e a consequente subvalorização da importância cultural e econômica da atividade artística entre espectadores e outros tomadores de decisão nas esferas pública e privada; as frequentes manifestações de preconceito mútuo entre indivíduos e grupos alimentadas por preferências entre opostos que na verdade são complementares como os pares arte/entretenimento, experimental/industrial, amador/profissional.

Gabriela Munhoz, atriz, e Manoel Prazeres, diretor teatral, criaram o conceito e, de 26 a 28 de março de 2021, organizaram um evento de apresentação, por teleconferência na Internet, denominado “O Ecossistema Ator|Atriz em 2021: O que é possível fazer, assistir, viver?” no formato de um ciclo de seis palestras sobre temas variados com duração total de 12 horas e ênfase no acolhimento dos participantes e na convivência entre eles. Foi constituído pelo seguinte programa: “O posicionamento pessoal diante da tecnologia” – Manoel Prazeres, “O pensamento crítico do ator|atriz” – Thereza Rocha, “O mercado da atividade artística” – Gustavo Nunes, “O ator|atriz e a sua prática” – Helena Varvaki, “O audiovisual e a diversificação de formatos e conteúdos” – Flávio Garcia da Rocha, “A presença através da empatia e do cuidado de si” – Gabriela Munhoz e Angélica Munhoz.